THERE’S HOPE
Posted by brumay
No one should fight for kindness…
http://www.youtube.com/watch?v=qZVNrkB0DnI&feature=player_embedded
…It’s time to fly!
Posted by brumay
No one should fight for kindness…
http://www.youtube.com/watch?v=qZVNrkB0DnI&feature=player_embedded
…It’s time to fly!
Ando devagar
Porque já tive pressa
E levo esse sorriso
Porque já chorei demaisHoje me sinto mais forte,
Mais feliz, quem sabe
Só levo a certeza
De que muito pouco sei,
Ou nada seiConhecer as manhas
E as manhãs
O sabor das massas
E das maçãsÉ preciso amor
Pra poder pulsar
É preciso paz pra poder sorrir
Posted by brumay
Todos me falavam: “Sevilla tem um encanto especial”, “Lá sim se respira flamenco”, “É muito linda!”… E após nada mais do que duas quadras caminhadas saindo da rodoviária, ao nos encontrarmos na beira do Rio Guadalquivir, não havia como negar nenhuma das frases que tinham me dito antes.
Chegamos em Sevilla, cidade onde minha avó materna nasceu, umas 5h30 da manhã e ficamos na rodoviária esperando o dia clarear um pouco para sairmos. Sentamos nuns bancos e deitei no colo da Glá e ela por cima de mim (posição básica para se dormir em duas pessoas em bancos rodoviáricos) para tirarmos um cochilo, eis que o tio da rodoviária me liga um cavalo desses para crianças brincarem que tocava a musiquinha do “velho McDonald que tinha uma fazenda” de um em um minuto (cronometrados). No começo, como sempre, eu e a Glá nos divertimos e até dançamos ao som da musiquinha, mas depois de 15 minutos já não aguentávamos mais e queríamos quebrar aquela porcaria de brinquedo. Alguém me responde que criança que ia na rodoviária as 5h30 da madrugada brincar naquilo??
Cavalinho dos inferno!
Enfim, após um pouco mais de uma hora saimos da rodo e fomos caminhar por Sevilla, como a Glá já conhecia ela era a guia. Quando chegamos as margens do Guadalquivir lindo, a primeira praça que vejo tem o nome Rafael Montesinos, o sobrenome da minha avó, já começou a bater forte o sentimento de uma ligação forte com aquela cidade encantadora.
Guadalquivir e Triana ao amanhecer
Seria meu tio-avô distante?
A Glá queria encontrar um parque que ela adorava e fomos em busca de tal, caminhando ao lado do rio que corta a cidade passamos já pela Plaza de Toros e pela Torre del Oro. Era demais estar ali vendo todas aquelas coisas das quais eu sempre ouvia falar nas letras de flamenco, a plaza onde meu vô toreou… Chegamos no tal parque e no momento emque entramos o sol estava exatamente na nossa frente irradiando uma luz absurda e mágica. Momento único!
Plaza de Toros… meu vô toreou aí! =D
Torre del Oro
Amanhecer =)
Energia… Momento único!
Após um tempo no parque saímos andando por ele e chegamos na Plaza de España, em reformas! =/, mas mesmo assim maravilhosa!!! Acho que todas as maiores cidade espanholas que se prezem tem uma Plaza de España e sem dúvidas a de Sevilla é a melhor do mundo! Tem um “quadro” de azulejos para cada província.
Primeira vista da Plaza… em reforma!
Plaza de España
Madrid!
Glá linda!
Depois fomos buscar um hostel para ficar, conhecer a Catedral com a Giralda que é maravilhosa e andar pelas ruelinhas do Barrio de Santa Cruz que, para mim, é uma das coisas mais legais e que mais me caracterizam de Sevilla.
Ao fundo, a Catedral com a Giralda
Pelas ruelinhas do barrio de Santa Cruz
No dia seguinte fomos ao Registro Civil onde eu tinha que dar entrada na certidão de nascimento da minha avó e fomos para a rodoviária para irmos a Utrera, onde nasceu meu vô, mas descobrimos que o próximo onibus que tinha já chegaria lá tarde demais, deixa pra próxima. Passeamos mais pela cidade e fomos pelo barrio de Triana, que é do outro lado do rio. E mas de tardezinha, assistir o jogo da Espanha na copa em um bar super típico espanhol no barrio de Santa Cruz.
Yeeii!!
Chegando em Triana
Estátua em homenagem ao flamenco
PAUSA para o momento em que no meio de uma rua gigante e vazia um pássaro mirou sua bazuca anal diretamente na cabeça da Glá! hahahaha… tadinha!
Coño! Vamo España! Villa de mierda! o/
Ao passar pelas pontes que cruzam o Guadalquivir vi um monte, mas um monteee de cadeados com nomes de pessoas e datas. A Glá me explicou que é como uma “modinha legal” de pessoas que se amam, sejam casais apaixonados ou grandes amigos, colocarem seus nomes em um cadeado prendê-lo numa ponte, ou o que seja, bem alto e arremessar as chaves fora, assim ficará ali para sempre.
Te amo!
De noite, após um tempo conversando comendo bata e tomando coca-cola na beira do Guadalquivir, fomos para a rodoviária, sem passar desapercebido por nossos ouvidos umas palmas por bulerías que vinham do outro lado do rio e um garçom que cantava flamenco entre uma mesa e outra que servia. Chegando na rodoviária estávamos sem nada de dinheiro, tínhamos comprado presentinhos, cartazes e ímãs, além dos gastos normais da viagem. Estávamos com muita sede e juntando tudo o que havia em nossas carteiras somava 1,75 euros e a garrafa de 1,5L (a única que tinha) de agua na rodoviaria custava 1,50. Ok, dava pra comprar, só que quando chegássemos em Madrid teríamos que pegar o metrô para chegarmos em casa, eu tinha o meu abono (ticket que se paga por mês), mas a Glá não. Falei isso pra ela e eis que ela tira de dentro da carteira um ticket de metrô, “Eu guardo isso na carteira para um momento em que eu precise! Vai lá e compra a água!” falou a Glá toda animada. Fechou! Comprei a água, bebemos felizes e seguimos viagem rumo a Madrid com 25 centimos de euro no bolso.
Chegando em Madrid, descemos na estação de Mendez Álvaro e quando chegamos no metrô… greve! O metrô estava fechado pq os funcionários estavam em greve. Tínhamos duas opções, voltar de Cercanías Renfe (um trem, tipo metrô, só que mais rápido e que vai até mais longe) que parava na estação da nossa casa ou ônibus, mas não sabíamos os ônibus que podíamos pegar, beleza, vamo de Renfe.
Gla: Só que o Renfe custa 1,25, o abono vale, mas o meu ticket do metrô não. E agora?
Bru: Tenta vender esse teu ticket ai pra alguém, é 1 euro, dá certinho!
E a vergonha?! Quase começamos a cantar e dançar pra pedir dinheiro, no fim a Glá chegou para um cara que estava parado perto de nós com umas malas e falou que estávamos sem dinheiro mas que tínhamos aquele ticket do metrô que estava válido, se ele não podia comprar. Acho que o cara era indiano ou algo assim e não entendeu direito, fez um sinal para que nós esperássemos e eis que surge a mulher do tio com uma cara meio brava virando o moedeiro na mão e jogando todas as moedas na mão Glá dizendo: “Toma! Toma! És todo lo que tengo!”… Nessa hora eu e a Glá nos olhamos, agradecemos e saímos dando muita risada. E, após acharem que éramos mendigas pedintes, conseguimos pegar o Renfe e chegar em casa, acompanhando o caos do trânsito madrileño naquele dia de greve do metrô.
E foi isso! Obrigada por me apresentar Sevilla, Glá! Tinha que ser você mesma! ;D
Posted by brumay

Vitoria-Gasteiz, País Vasco, España
Passado o teste do Conservatório, fiquei ensaiando com a Glá, alugamos um estúdio e ficamos lá passando coisas uma pra outra e ensaiando muito, mas muito mesmoo, a ponto de eu sair do ensaio com minha blusa molhada de um jeito que dava para torcer, nunca suei tanto na minha vida! E além disso, antes eu tava descansando da maratona de estudos que fiz pro teste e curtindo aqui né… indo ver os jogos do Brasil em bares por ai e aguentando os espanhóis que super torcem contra a nossa seleção, quando o Brasil perdeu pra Holanda então, foi tão legal ouvir os aplausos ao nosso redor. ¬¬’
Na sexta-feira, dia 25 de julho, as 8h30 da manhã embarquei com a Fer em um trem rumo ao País Vasco, fomos num festival de rock! Iradoooooo!
Dei de presente de aniversário para a Fer os ingressos para o show. Na verdade o principal para nós era o show da Imelda May, uma cantora irlandesa de rockabilly que nós duas curtimos, mas no mesmo dia tiveram outras bandas, tipo Kiss e Slash! Foi demaiiss!!!
Olha o site do Festival… http://www.azkenarockfestival.com/arf/2010/
Nós chegamos em Vitoria-Gasteiz na sexta por volta das 13h, passamos no mercado pra comprar algo de comer (pão, salada, queijo, suco, bolacha e atum) e fomos para a grama de um parque próximo para almoçar. Logo depois de nosso delicioso lanche/almoço, fomos até a rodoviária deixar nossas poucas coisas no guarda-volumes, fazia um calor brutal, resolvemos colocar nossos shorts e só levar nossas calças na mochila “imagina, com esse calor não vamos precisar das blusas!”, foi o tempo de passar num bar pra ver o final do jogo em que Brasil e Portugal empataram e ir para o show, tudo a pé lógico, pois a cidade é super pequena.
Chegamos por volta das 18h lá e a Imelda May começava as 19h10. O show dela foi muitoo boom! Estando ali com a Fer ainda, nossa… foi demais!!! Nós duas com certeza éramos as únicas que fomos até lá por causa dela e piramos mais do que qualquer um naquele lugar, ainda tava de dia e não tinha muita gente. Depois de ficarmos super emocionadas com o show da Imelda saimos passear pelo lugar e dar uma olhada no outro palco.
Imelda May… irado!
Askena Rock Festival
No meio de nosso passeio achamos um stander onde estavam pintando a cara da galera igual o Kiss, imagina se as duas aqui não ficaram faceiras e entraram na fila na mesma hora, mas infelizmente já tinham distribuído todas as senhas e a nossa meia hora esperando na frente da tia maquiadora não a comoveu! hehe… O fato é que comemos, começou a esfriar um pouco, colocamos nossas calças e nos enfiamos no meio da galera (e que galera!) para o show do Slash que foi muitoo massa!
Slash e sua guitarra
E, logo depois, começou o show da noite. Estávamos mais lá pra trás quando começou um clipe no telão e, logo em seguida, todo o palco começa a explodir e eis que surge KISS!!!! Mew… sem palavras para aquele show, simplesmente fiquei alucinada, mesmo sem conhecer muito (ou quase nada) das músicas que estavam tocando. A produção do show deles é irada, virei fã dos caras, de verdade!
KISS!
O show deles acabou um pouco antes das 3h e aí sim fazia frio! A Fer tinha levado um bolerinho que a salvou, porque se eu tava com frio, ela devia estar congelando. Comemos uma pizza, e fomos pro outro palco onde tinha um DJ (de rock). Pense numa pessoa dançando loucamente para não sentir frio… pensou? Era eu! haha… Ficamos ali até umas 4h30 e resolvemos sair caminhar pela cidade.
Saimos andando aleatoriamente pelas ruas que nos apeteciam e que não conheciamos ainda, mas o frio tava tenso e fomos para a rodoviária, chegamos lá em torno das 6h e o guarda-volumes só abria as 8h, dormimos um pouco nos bancos por ali até dar a hora, pegamos nossas coisas, nos agasalhamos, e fomos até um parque próximo onde deitamos, dormimos mais umas 2 horas, comemos o que restou do almoço do dia anterior, tiramos as blusas porque o sol já estava torrando de novo e saímos para conhecer a cidade. Andamos um monte por tudo e tiramos muitass fotoss. Vitoria é uma cidade medieval, então tem muita coisa legal! No País Vasco, que fica no norte da Espanha, além do espanhol eles também falam Euskera que é um dialeto local que parece uma mescla com alemão, algo bem difícil e incompreensível para nós. haha…
Fer pelas ruas de Vitoria
Onde está a Fer?
Casco medieval
Catedral
Felizzz!!!
Tentamos comprar uma “lembrança” da cidade, mas infelizmente não deu certo. Nos restou somente pegar o trem de volta e chegamos em Madrid de noite. Chegando em casa foi tomar banho, comer, e cama… as duas apagaram!!
Já no dia seguinte (domingo) de noite, peguei um ônibus com a Glá rumo a Sevilla… passamos dois dias lá (segunda e terça)! Fui pra agilizar os documentos da mnha vó que era de lá e também conhecer essa cidade que tem um encanto especial e que eu carrego no meu sangue né?! Como diz a música: “Sevilla tiene una cosa, que solo tiene Sevilla…”
Mas essa viagem… fica pro próximo post! ;D
Posted by brumay

Fui para Madrid tendo em mente fazer o teste para entrar no Conservatório Profesional de Danza Fortea. O Conservatório não é só de flamenco, pelo contrário, no meu curso de Enseñanzas Profesionales de Danza Española estuda-se ballet clássico, escuela bolera, dança estilizada, folclore espanhol, música, história da dança e até anatomia tenho a partir do terceiro ano.
A Cândida é uma amiga queridona que conheço faz um tempinho e que dança flamenco em Curitiba. Ela também foi fazer esse mesmo teste que eu e, inclusive, ficou na nossa casa nesse período. Nós duas fizemos uma semana de aulas de ballet clássico, escuela bolera (clássico espanhol) e um pouquinho de dança estilizada, com duas alunas que se formaram agora pelo Conservatório, que a Lisi (amiga brasileira flamenca que já estuda lá) nos indicou. A Cândida já tinha feito clássico antes, mas fazia tempo e eu há pouco tempo fiz algumas aulas só para me preparar para a prova do Conservatório mesmo, ou seja, já dá para imaginar o quanto arrasamos nas aulas né?! haha… Mas de verdade que nossas professoras diziam que nossa consciência corporal adquirida por outras danças (especialmente pelo flamenco, no meu caso) estava ajudando, pois levando em consideração nossa pouca experiência estávamos indo bem.
Nós em uma aula de bolera com Noelia
Eis que, após essa semana de aulas, é chegado o dia 16 de junho, o dia do teste. No site dizia que a prova começaria as 10h, porém como estávamos fazendo aula no Conservatório, vimos em um mural que começaria as 9h, por via das dúvidas cheguemos mais cedo. No dia acordamos cedo, pegamos um táxi para chegarmos lá tranquilas. A Fer foi conosco, superfofa, fazendo massagem pra nos acalmar e tudo mais, foi embora quando estramos pra começar a prova, porque nenhuma de nós sabia que ela podia ficar para assistir. Enfim, chegamos no Conservatório eram 8h30 e já soubemos que as provas começariam as 10h pelo fato do horário estar errado no site. Durante uma hora e meia ficamos nos aquecendo, alongando… Quando deu 10h estávamos nos sentindo super bem, super aquecidas naquela manhã fria. Começamos pela prova de música, uma parte tranquila, outra mais louca, mas fomos superbem. Depois os alunos que tentavam entrar para o segundo ano faziam a prova prática enquanto nós, que tentávamos para o terceiro, fazíamos a prova tteórica de história da dança, quatro questões de múltipla escolha muito fáceis e uma dissertativa que foi naquele “embromation” básico (detalhe: em espanhol). Após esperar mais um tempo, até a prova do segundo ano acabar e todo nosso aquecimento ir pro lixo já devia ser quase meio-dia quando começou a nossa prova prática. Três professores, colocados bem na nossa frente, estavam atentos nos avaliando, enquanto nós com nossas sapatilhas nos pés, saias de bolera nas cinturas e castanholas nas mãos copiávamos os passos da professora que nos passava a coreografia de escuela bolera. Particularmente, acho que estava indo melhor nas aulas do que ali na prova, até porque não havíamos visto quase nenhum passo dos que a professora nos aplicou na prova. Depois, trocamos as sapatilhas por sapatos e a saia de bolera por uma saia longa, vinha a prova de dança estilizada. Me saí um pouco melhor. E, só então, trocamos as castanholas por um pericón (leque) e fomos para a prova de flamenco. Nesse momento eu estava muito tranquila, porque finalmente era a hora de eu mostrar que de fato sabia algo do que estava fazendo ali. Modéstia a parte, mandei bem! hehe… Teve até uma hora que olhei para uma das professoras da banca e ela estava sorrindo me olhando dançar, naquele momento me empolguei de vez. A parte de flamenco, particularmente, foi muito fácil, peguei os movimentos muito tranquilamente. E assim foi a prova, por motivos desconhecidos não tivemos que cantar como dizia no regulamento, de verdade que eu tinha até me preparado e ensaiado com a Fer para cantar Oceano do Djavan, queria cantar, mas não foi dessa vez.
Passadas todas as etapas da prova, os professores chamaram eu e a Cândida para conversar, já sabiam que éramos brasileiras. A professora elogiou dizendo que quanto ao flamenco não havia nada a dizer, que se via que haviam anos de flamenco ali e que estava muito bem, mas perguntou: “Vocês não tem muito tempo de ballet clássico né?”, é… eles sabem! haha… Falamos a verdade, eu disse que havia feito 2 meses de aula, só para me preparar para a prova. Eles disseram que se o curso fosse só de flamenco entraríamos bem avançadas, mas não, são vários estilos a serem estudados e que eles já tiveram experiência com outros alunos que tinham especialidade em um único estilo e acabavam não conseguindo acompanhar o resto da turma se entrava em um ano mais avançado. E nos disseram: “Que vocês vão entrar é fato, agora só vamos analisar em que ano colocaremos vocês”. Já saímos comemorando, afinal, não importava o ano, entrar era a conquista. Fomos nos trocar, descobri que tinha perdido minha calça, simplesmente não tinha outra calça para voltar pra casa, só uma meia fina e uma saia ou de flamenco, ou de bolera. Saí pelo Conservatório em busca da minha calça (ou de qualquer calça com a qual pudesse sair na rua) e, após uns 15 minutos, fui encontrá-la com um menino que tinha feito o teste para o segundo ano, sabe Deus como minha calça foi parar dentro da bolsa dele. Após meu susto, nos trocamos, já pegamos nossas fichas para matrícula, uma vez que eu teria que fazer a matrícula da Cândida que já voltava para o Brasil dentro de uma semana e fomos felizes para casa, com direito até a pular em cima da cama da Fer e acordá-la gritando =D.
Após uma semana, vendo a lista oficial de aprovados no site, com nossos nomes na lista para o primeiro ano, voltei no Conservatório para realizar nossas matrículas, o rapaz me avisou que só estavam fazendo re-matrículas, que eu teria que voltar em julho e também me explicou que haviam 15 vagas no primeiro ano e 18 pessoas haviam sido aprovadas, ou seja, nada estava garantido, mas logo averiguamos que tanto a minha nota quanto a da Cândida foram boas e que tinham mais de três pessoas com notas inferiores, ufa! Enfim, foi só na primeira semana de julho que pude voltar no Conservatório e, finalmente, ter em mãos nossas matrículas.
Foi lindo! hahaha… *.*

Eu e Cândida… colegas de Conservatório! Yeah! ;D
Posted by brumay

Nesses quase dois meses que fiquei em Madrid fiz duas semanas de aula na Amor de Dios com o Alfonso Losa e algumas vezes fui ensaiar com a Glá, alugávamos um estúdio no Casa Patas, ou na própria Amor, e saíamos pingando suor. Mas acho que mais forte que isso foram as apresentações de bailaores e cantaores e todo o mundo flamenco no qual você mergulha. Sem explicação, só estando lá para viver tudo isso mesmo. A primeira apresentação em teatro que fui foi a da Rocio Molina, ganhei o ingresso de uma colega espanhola da Amor de Dios, a Sara, era um espetáculo de flamenco/contemporâneo, é bem difícil eu gostar dessas coisas contemporâneas que o pessoal vem colocando no flamenco, mas esse espetáculo foi muito legal, superbonito e bem feito, era só a Rocio bailando, ela é muito boa e ahh… sabe o que é uma mulher sapateando só de top e shortinho e nada, NADA, no corpo do ser balançar?! Ódio dela! hahaha…
Depois, em um final de semana que estávamos eu, Fer e Cândida procurando o que fazer, descobrimos que teria um show da Estrella Morente (cantaora) em El Escorial, cidadezinha linda que fica a uns 50Km de Madrid e o ingresso custava 15 euros. Na mesma hora já compramos os ingressos pela internet entusiasmadíssimas. O show começava as 20h, fomos almoçar vendo Friends e sair de casa para pegar o trem das 18h. Quando estávamos saindo a Fer fechou a porta com a chave na fechadura do lado de dentro e isso na nossa porta significa “não tem como abrir por fora!” e não tinha ninguém lá dentro, fomos nós chamar um chaveiro e pagar 60 euros pra ele fazer exatamente o que estávamos tentando fazer antes para abrir a porta (só que com um pouquinho mais de prática), nisso já eram 18h e uns minutos. “Acho que tem um trem as 18h30”… saímos correndo (literalmente) para chegar na estação de Atocha a tempo, ao chegarmos um cara super grosso nos informou que esse trem não existia, só tinha um as 19h30 que chegava lá por volta das 20h30. “Acho que tem um que sai de Moncloa as 19h”… saímos correndo (literalmente) rumo a Moncloa, pegamos o primeiro metrô, descemos em Sol, quando chegamos na plataforma para pegar o metrô que ia para Moncloa a linha estava interditada, só ia até duas estações antes de Moncloa, porque um tio tinha passado mal dentro do trem, algo assim. Surreal! Voltamos para Atocha desoladas e a Fer ligou para Isabel (uma amiga dela, agora nossa) com uma voz tristinha contando o ocorrido e querendo saber se ela tinha uma solução. A Isabel é uma fofa, falou que era para irmos para Piramides que ela levaria a gente de carro até lá. E novamente correndo fomos para Piramides, antes tentamos comprar ingressos para a Isabel e a Mar (que ia junto porque a Isabel já tinha marcado de vê-la), mas já estavam esgotados. Por fim, após todo esse fuzuê, chegamos no show lá por 20h30 e ainda tivemos que ficar esperando uns 10 minutos até podermos entrar na platéia. Pegamos toda a segunda parte e nossa… infinitamente valeu muitooo a pena! O que é aquela mulher cantando? Lindo demaaaiiis!!! E depois que saimos do show, emocionadas e meio atordoadas até, ainda fomos caminhar por El Escorial para conhecer um pouco da cidade.
Estrella Morente e músicos
Mosteiro de El Escorial
Um espelho, uma máquina fotográfica e 5 pessoas felizes!
Existem restaurantes que contam com apresentações de flamenco quase todas as noites em um palco bem próximo das pessoas, os típicos “tablaos”. Fui no Las Carboneras duas vezes, na primeira a atração era o Marco Flores e na segunda o Alfonso Losa e fui no Casa Patas ver a Truco. Todos muito bons e com músicos e cantaores que como diria a Glá: “pfaa… toma toomaa!!!” hahaha…
E, claro, fomos no Chinitas ver a Glá. Sério, absurdo o que essa guria evoluiu em um ano e meio. Está linda e muito forte bailando. Orgulho e felicidade imensuráveis de ver isso. Para terem uma idéia, quando cheguei em Madrid, até chorei ao ver um vídeo dela dançando em Stuttgart, na Alemanha. Vê-la pessoalmente só confirmou isso mais ainda.
Las Carboneras - 21.05.2010
Na frente do Patas esperando… - 19.06.2010
E a outra apresentação em que fui foi “Grito”, do Alfonso Losa com o José Maya. O show foi o que se pode esperar da união de dois caras do nível deles, muito bom!! Nem comento da técnica dos dois, mas particularmente preferi o Losa bailando, bem mais do que quando o vi no Carboneras. Outra coisa que foi superlegal é terminar a apresentação e enquanto você vai saindo do teatro encontrando conhecidos e conversando vê todo o povo flamenco, como Cristóbal Reyes, Talegona, Truco, Maria Juncal, e de repente um tio começa a cantar por buleria no corredor sabe Deus porquê, enfim… você definitivamente está em Madrid.
Isso sem falar das juergas. Foi irado o dia que eu saí com a Glá para Huertas (bairro onde ficam os bares e baladas) e, depois de passarmos por vários lugares, paramos no Cardamomo e encontramos com um amigo gitano dela que nos chamou para irmos no Patas. Naquele dia, mais cedo, o Duquende (cantaor de flamenco, gitano, bem reconhecido) tinha feito uma apresentação lá, quando chegamos o bar estava cheio de gitanos (ciganos) e desde que chegamos até o momento em que saimos (umas 3h depois) eles não pararam um minuto de tocar e cantar por bulería. Era Duquende e mais um monte de gente muito foda quase disputando para cantar uma letra e a guitarra ia passando por várias mãos. Acho que, em determinado momento, nós duas éramos as únicas ‘de fora’ naquele lugar. Foi alucinante, o flamenco da forma mais natural que já vi.
Que fuerte!
Posted by brumay

Oi oi gente querida! =]
Para todos aqueles curiosos, doidos por saber como foi minha tão sonhada viagem pela Espanha, irei contando aqui aos poucos, até chegar nos dias de hoje e manter o blog com posts atuais! hehe…
Embarquei no aeroporto de Curitiba no dia 13 de maio de 2010 rumo ao aeroporto de Guarulhos, São Paulo, onde pegaria uma avião diretamente para Madrid. Fiquei duas horas a mais do que esperado em Guarulhos devido a um atraso do vôo, mesmo assim quase perdi o avião por conta de uma baita confusão com o certificado do meu seguro de saúde que meu cartão de crédito não mandava nunca. Fui a última a embarcar, quando perguntei pra uma mulherzinha sobre o vôo (ao ver o portão de embarque fechado) ela me respondeu perguntando “Você é Bruna de Oliveira?”… uiaa… acho que realmente só falta eu! Mas deu tudo certo e lá estava eu na classe econômica da AirChina para 11 longas horas de vôo. E foram longas… o banco não deita direito, todos os filmes são em chinês ou inglês (meu inglês é horrível) e no fim até o meu controle quebrou. A minha sorte foi que, em meio aquele monte de chineses que dominavam o avião, do meu lado foi uma brasileira muito querida, a Ana, e aí vem A coincidência, com uma hora de vôo mais ou menos escuto alguém em pé do meu lado dizendo: “Bruna, Bruna…” olho e vejo o León, um amigo que de um grupo de tangueiros conhecidos, “Daonde você surgiu homem?” hahaha. Enfim, ele tava indo pra China a negócios com o pai dele e tava sentado exatamente atrás de mim, mas no fim não nos falamos muito mais do que uns 15 minutos. Já com a queridíssima Ana, que estava indo fazer o Caminho de Santiago, altos papos. As horas pareciam não passar, principalmente a última hora de vôo…
Ao descer do avião, passei pela imigração, peguei minhas pequenas malas e saí, vi muitas pessoas no desembarque e um pouco pra trás a Fer já acenando ao me ver, larguei tudo e saí correndo de encontro a ela, mega abraço e sorrisos infinitos! =DDD
Eu com cara de assustada, primeira de muitas fotos…
As duas malas quebraram no caminho de metrô até nossa casa, rolou até resgate de rodinhas que ficaram dentro do metrô enquanto a mala tava comigo do lado de fora (Fer também é agilidade! ;D ). E foi arrastando uma mala de 31,5Kg que cheguei na minha nova casa. Após subirmos carregando as malas pelas escadas até o 4º andar, pude finalmente me jogar no sofá, gritar na varanda e abraçar loucamente a Fer por infinitas outras vezes, era quase inacreditável estar ali, finalmente!
Após um banho e troca de roupa, saimos para um city-tour. Com exceção da Plaza Mayor, porque essa definitivamente eu tinha que conhecer com a Glá, a Fer em um dia me mostrou quase toda a parte turística de Madrid e algumas coisas que futuramente me seriam úteis por ali também: Puerta del Sol, el Oso y Madroño, Palácio Real, Catedral de La Almudena, Plaza de España, Museo do Jamón, Huertas, Gran Via… Nós temos o mesmo estilo como turistas, partes mais históricas, palácios e estátuas são legais para olhar, tirar foto, dar mais uma olhada e bora para o próximo! hehe… E lógico, ela me levou até a Amor de Dios! A escola de flamenco super reconhecida, com grandes maestros, onde eu (e a maioria da população flamenca) sempre quis fazer aula. Por fim, fizemos um piquenique supergostoso no Templo de Debod!
Super turista no Palácio Real
Teve direito até a um show do Michael Jackson na Gran Via
Eu pouco boba nos corredores da Amor de Dios
Piquenique gostosooo… Obrigada Fer linda!
Após esse maravilhoso e cansativo dia, fomos para casa ao entardecer e a Fer se foi para Cuenca, porque era final de semana de aula para ela, enquanto isso eu adormeci enquanto esperava ansiosamente pela chegada da Glá, que estava vindo de carro da Alemanha, já era de noite quando ela chegou.
Acordei com o interfone tocando loucamente, abri o portão e fiquei na porta esperando ansiosamente, ver ela subindo aquela escada foi outra emoção a parte naquele dia. Sabe o que é um ano e meio esperando para encontrar uma pessoa? Foi lindo! O Jorge estava com ela, mas após conhecer o apartamento e ficar um pouquinho já foi embora e nos deixou em nossas conversas que duraram até as 5h da manhã, nas quais sempre surgia a frase: “Mew… Eu não acredito que você tá aqui de verdade!“ *.*
E assim, inacreditavelmente lindo, foi o meu primeiro dia em Madrid…
Fiz uma participação especial aflamencando um pouco o final da canção com as castanholas, o cajón e a minha voz jaleando um pouquinho.
;D